Igreja de Nossa Senhora do Carmo
A Igreja de Nossa Senhora do Carmo foi construída no antigo Morro de Santa Quitéria, próximo à atual Praça Tiradentes, onde a Ordem Terceira do Carmo utilizava uma capela dedicada à santa.
O projeto foi elaborado em 1756 por Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho. As obras avançaram a partir de 1766, e a nave foi concluída por volta de 1779. Alterações posteriores deram ao edifício características do rococó mineiro.
Arquitetura externa. A fachada apresenta uma leve curvatura, duas torres sineiras e uma portada, estrutura ornamental que emoldura a entrada, esculpida em pedra-sabão. Sobre a porta está o brasão da Ordem do Carmo, acompanhado por querubins. Esse conjunto é tradicionalmente atribuído a Aleijadinho, embora possa ter contado com a participação de outros artífices.
Interior da igreja. O templo possui nave única, capela-mor e sacristia. A decoração reúne obras produzidas entre o final do século XVIII e o início do século XX. Entre os principais elementos, destacam-se:
- Capela-mor e altar-mor: a capela-mor é o espaço ao fundo da igreja onde fica o altar principal. O altar-mor, desenhado por Mestre Ataíde em 1813, foi executado por Vicente da Costa e dourado pelo próprio Ataíde em 1825. No centro está Nossa Senhora do Carmo, acompanhada pelas imagens de Santa Teresa e Santo Elias;
- Altares laterais: seis altares estão distribuídos pela nave. Os dedicados a São João e Nossa Senhora da Piedade foram executados por Aleijadinho e seus auxiliares entre 1807 e 1809. Na parte inferior desses altares há baixos-relevos, imagens esculpidas que sobressaem ligeiramente da madeira. No altar de São João está representado o profeta Jeremias na prisão; no de Nossa Senhora da Piedade, a paciência de Jó;
- Púlpitos: estruturas elevadas utilizadas para pregações, seguem projeto de João Gomes e foram executadas no início do século XIX por Justino Ferreira de Andrade e sua equipe;
- Painéis de azulejos: revestem a parte inferior das paredes da capela-mor e apresentam cenas relacionadas à história e à devoção da Ordem do Carmo. A presença desses azulejos portugueses é uma característica pouco comum nas igrejas históricas de Minas Gerais;
- Forros da nave e da capela-mor: as pinturas atuais foram realizadas pelo artista italiano Angelo Clerici entre 1908 e 1909, demonstrando que a decoração do templo continuou a ser modificada no início do século XX.
Museu do Oratório. Inaugurado em 1998, funciona na antiga Casa do Noviciado do Carmo, situada no adro, espaço aberto ao lado da igreja. Entre os principais elementos do acervo, destacam-se:
- Oratórios: o museu preserva 162 peças de diferentes tamanhos, formatos e materiais, utilizadas em residências, viagens e espaços públicos;
- Imagens religiosas: o acervo reúne 300 imagens produzidas entre os séculos XVII e XX, principalmente em Minas Gerais;
Tombada pelo Iphan em 1938, a igreja integra o Centro Histórico de Ouro Preto, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 1980.
Conheça outras informações no portal de turismo da Prefeitura de Ouro Preto e no site oficial do Museu do Oratório.
Endereço: Rua Brigadeiro Musqueira, s/nº, Centro, Ouro Preto, MG.
Fachada e Descrição
Fachada com possível influência de Aleijadinho, com frontispício em pedra-sabão e elementos de transição entre o barroco e o rococó mineiro.
Altares e Interior
Interior com altares ricamente entalhados, azulejos portugueses únicos em Minas Gerais e o altar-mor com desenho de Mestre Ataíde.
Sacristia da Igreja
Sacristia conserva elementos originais do século XVIII, como o lavabo em pedra-sabão, refletindo o apuro artístico e litúrgico do período colonial.