Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias
O Santuário de Nossa Senhora da Conceição de Antônio Dias, em Ouro Preto, teve origem em uma capela construída por volta de 1699 pelo bandeirante Antônio Dias, em um dos núcleos formadores da antiga Vila Rica.
A paróquia já existia em 1707. Com o crescimento do povoado, as irmandades do Santíssimo Sacramento e de Nossa Senhora da Conceição promoveram a construção de uma igreja maior. As obras começaram em 1727, sob projeto e orientação de Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho.
Arquitetura externa. A estrutura conserva características da arquitetura religiosa mineira do século XVIII, mas a fachada foi modificada no século XIX, incorporando referências neoclássicas.
A fachada possui entrada central, janelas na altura do coro, frontão e duas torres sineiras. Portas e janelas são emolduradas por pedra. O adro, espaço aberto diante da igreja, foi construído entre 1860 e 1863.
Interior da igreja. A decoração reúne diferentes fases do barroco e do rococó. Entre os principais elementos, destacam-se:
- Capela-mor e altar-mor: a capela-mor é o espaço ao fundo da igreja onde fica o altar principal. Sua talha foi contratada com Felipe Vieira em 1760 e concluída em 1768. O altar possui colunas torcidas, ornamentos e dossel, cobertura semelhante a um pequeno teto. No alto, anjos sustentam um brasão. O conjunto apresenta talha dourada, técnica na qual a madeira esculpida recebe finas folhas de ouro. No centro está Nossa Senhora da Conceição;
- Altares laterais: oito altares barrocos estão distribuídos pela nave. À direita, são dedicados a Nossa Senhora da Boa Morte, São João Batista, São Gonçalo e São Miguel e Almas; à esquerda, a São José, São Sebastião, Santo Antônio e Nossa Senhora Aparecida. Apresentam colunas espiraladas, anjos, flores, pássaros, dragões e uma fênix, símbolo da Ressurreição de Cristo;
- Painéis religiosos: quatro pinturas ovais nas paredes da capela-mor representam São Pedro, São Paulo, Santo Ambrósio e São Gregório Magno. A autoria é desconhecida;
- Sepultamentos históricos: Aleijadinho foi sepultado na igreja, em 1814, junto ao altar de Nossa Senhora da Boa Morte. Manuel Francisco Lisboa foi enterrado no templo em 1767, na cova da Irmandade do Santíssimo Sacramento, cuja localização exata não está documentada.
Museu Aleijadinho. Criado em 1968, ocupa a antiga sacristia, o consistório, sala de reuniões administrativas, e a cripta. Entre os principais elementos do acervo, destacam-se:
- Esculturas religiosas: incluem São Francisco de Paula e um Cristo crucificado;
- Leões de eça: esculturas de madeira usadas como suportes em cerimônias fúnebres;
- Arcaz da sacristia: móvel de jacarandá documentado em 1733, utilizado para guardar vestimentas e objetos litúrgicos.
Registro do falecimento de Aleijadinho. O arquivo paroquial conserva o assento de óbito de 1814, que registra seu sepultamento na “cova da Boa Morte”, no interior da igreja.
Tombada pelo Iphan em 1939, a igreja integra o Centro Histórico de Ouro Preto, reconhecido pela UNESCO como Patrimônio Mundial em 1980.
Conheça outros detalhes sobre a história e o patrimônio no site da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição.
Endereço: Praça Antônio Dias, n. 9, Antônio Dias, CEP 35.400-192, Ouro Preto, MG.
Fachada e Vista Externa
Fachada que segue o modelo barroco setecentista, com estrutura simétrica e características típicas da arquitetura colonial mineira.
Altares
Altares que revelam a riqueza do barroco Joanino, com talha densa, colunas espiraladas, motivos florais, anjos e símbolos religiosos.
Interior e Pinturas
Interior com pinturas de Guilherme Shumaker, esculturas de santos de roca e painéis que ilustram temas sacros.
Sacristia
Sacristia que guarda traços originais do século XVIII, com móveis antigos, lavabo de pedra-sabão e decoração barroca.